sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Elis, Cássia e Amy

Quando penso em cantoras sensacionais com vozes únicas essas três sempre me vem a cabeça. Elis Regina, Cássia Eller e Amy Winehouse. Se for comparar cada uma, acredito que são estilos e timbres completamente diferentes, mas com trajetórias parecidas. Figuras passionais, fortes no palco e tímidas na vida real. Conseguiam transpor as composições como se fossem suas vidas no palco, sofriam, choravam e interpretavam com dor cada melodia e palavra citada. Viveram do excesso e se foram antes do tempo, mas ainda assim suas vozes e suas obras acariciam de alguma forma a saudade o coração de que sente falta...



sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Nina Becker

Desconfio que Nina Becker seja filha de Mutantes. Ela parece ter herdado o dom de criar músicas de outro universo. Esse experimentalismo na veia para mim ficou mais evidente quando a vi em um show dedicado ao álbum mais experimental da carreira de Rita Lee e Mutantes, o “Build up”. Sua voz casou com tanta perfeição que criou-se a impressão de ouvir a gravação original. O disco que tem versão pra música religiosa, cover de Beatles, bolero e até uma música com letra de receita de macarrão caiu como uma luva pra Nina Becker, que estava (e costuma estar na maioria das vezes) acompanhada pela mais experimental banda da atualidade, a Do Amor – só pra ter uma noção, os caras tocam com Caetano.

Depois desse show comecei a acompanhá-la com mais frequência e conheci seu EP Superluxo. "Vossa autoria" foi uma das músicas que me fizeram esperar ansioso pelo disco que estava sendo gravado. Depois de um tempo ele saiu, mas duplo, um Azul e outro Vermelho. O Vermelho de cara foi o que eu mais ouvi. Começa com “Madrugada Branca” que me remeteu a canção “Três da madrugada” com a Gal, achei tudo tão próximo. Como a Gal fez nessa canção, Nina canta como ela os versos em doses homeopáticas, nos transportando imediatamente para uma madrugada solitária. Depois surgem algumas animadinhas que casam tão bem ao seu estilo de voz. “Toc, toc” é minha preferida e está completamente diferente do arranjo do compositor Rubinho Jacobina. Ela é mais lenta, mas com uma levada deliciosa que não deixa a música entediante. “Superluxo” (que letra linda), “Tropical Poliéster”, “Volte sempre” eram algumas das faixas que também me perseguiam nesse período. "Do avesso" foi a última que me apaixonei, aí então percebi que já estava na hora de ouvir o Azul. Fui logo pra “Samba Jambo” a mais animadinha e viciei no arranjo sem bateria que é de uma cadência e sonoridade linda. Em seguida fui pra “Não Tema” que é um daquelas músicas que a gente curte quando tá na fossa, querendo sofrer e se remoer sentando num cantinho bem confortável. Me senti aquecido. Depois pra outras faixas como “Pedido”, “Ela adora (bem no estilo da música “Gerânio” que a Marisa Monte compôs com o Nando Reis)” foi um pulo.

Agora me deparei com o programa que ela gravou. O Grêmio Recreativo da MTV com Arnaldo Antunes. Nina Becker surgiu com o Do Amor e com Caetano Veloso. Os dois últimos cantaram “Muito”, música que o Caetano fez pra Regina Casé – além de “Rapte-me Camaleoa” que todo mundo já está cansado de saber. Nina Becker cantando essa música é uma das coisas mais lindas que eu já ouvi na vida. Tocante, de arrepiar e emocionar. E nesse programa ela tocou uma nova chamada “Marco Zero” que tem uma pegada rock, pop, mas aquele pop que a Rita Lee fazia nos Mutantes, um pop bom, com pegada e com cara de novidade. Um pop que só que tem DNA de mutante consegue fazer.


terça-feira, 23 de agosto de 2011

domingo, 21 de agosto de 2011

We Float - PJ Harvey


We wanted to find love
We wanted success
Until nothing was enough
Until my middle name was excess
And somehow I lost touch
When you went out of sight
When you got lost into the city
Got lost into the night
I was in need of help
Heading to black out
'Til someone told me run on in honey
Before somebody blows your goddam' brains out
You shop-lifted as a child
I had a model's smile
You carried all my hopes
Until something broke inside

But now we float
Take life as it comes

So will we die of shock?
Die without a trial
Die on Good Friday
While holding each other tight
This is kind of about you
This is kind of about me
We just kind of lost our way
But we were looking to be free

But one day we'll float
Take life as it comes

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Por aí







Artistas pedindo voz e a cidade agridoce os acolhe.
Em muros, becos e paredes.
Se fosse um mamífero, São Paulo seria um porco espinho.
Pronto para amamentar sem deixar de espetar.


terça-feira, 9 de agosto de 2011

Itamar Assumpção vulgo Nego Dito

Ouvir Itamar Assumpção é entrar em contato com algo novo. Uma voz grave, distante de qualquer timbre radiofônico. Ritmos misturados, falta de linearidade nas melodias e letras simples que observam amenidades cotidianas mesclando humor e sensibilidade. Aliás, no fundo essa é a grande surpresa em Itamar Assumpção, ser um artista acessível. Entre suas influências estão Roberto Carlos, depois disso entende-se um pouco sua essência.

Achava que Itamar Assumpção gostava de ser rotulado como um artista marginal e acessível a poucos, mas pelos relatos de sua família e até mesmo por suas entrevistas, percebe-se que não. Todo artista precisa ser ouvido e reconhecido, até Itamar com sua aura marginal, queria ser reconhecido.

Atualmente foram lançados dois projetos associados a ele, o belo documentário "Daquele instante em diante" dirigido por Rogério Velloso e Caixa Preta (que reúne todos os seus discos, além de dois póstumos com várias participações especiais). Os dois projetos têm como principal objetivo, valorizar seu trabalho e trazê-lo para perto de muitos que até então não o conheciam. Ney Matogrosso, Rita Lee, Cássia Eller e Zélia Duncan engrossaram seu caldo gravando suas músicas e valorizam sua genialidade. Sorte dos poucos que conseguiram (e ainda conseguem) enxergar no Nego Dito sua genialidade e o poder de suas composições.

Devia ser proibido
Uma saudade tão má
De uma pessoa tão boa

(devia ser proibido)

Ópios, edens, analgésicos
Não me toquem nesse dor
Ela é tudo o que me sobra
Sofrer vai ser a minha última obra

(dor elegante)

mas se apesar de banal
chorar for inevitável
sinta o gosto do sal
gota a gota, uma a uma
duas três dez cem mil lágrimas
sinta o milagre
a cada mil lágrimas sai um milagre

(milágrimas)

eu sou rio, você é o mar, nosso encontro é pororoca, você é flor eu sou o beija flor, nosso encontro é boca a boca, eu sou o frio você é o calor, nosso encontro é choque térmico...

(eu tenho medo)

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

dia dos pais...

Próximo ao dia dos pais, data temida e a primeira que passo sem pensar em um presente pro meu pai, tá doendo um pouco. Sempre pensava em algo para ele nessa data, sempre tivemos uma relação forte com presentes, ele ajudou sempre nisso. Era habitual em casa presentear em datas especiais. Nós sempre pensavamos em relógios pra ele. Adorava ver anúncios de relógios pensando em qual ele escolheria e gostaria de ganhar. O último que demos foi o melhor, ele gostou, mas ao mesmo tempo disse no dia que ganhou que queria ter escolhido com a gente e tomado um chope depois. Essa foi a última vez que o vi de pé, reclamando e com cara amarrada (sua cara habitual). O abracei, me desculpei de não o ter levado e reclamei de como ele estava magrelo e tinha ossos aparentes. Ele relutou a crítica e ainda teve a cara de pau de dizer que estava bem nutrido, pois estava tomando farinha láctea. Aliás, essa parecia a forma de nos aproximarmos, sempre criticando um ao outro. Ele reclamando de alguma peça da minha roupa (essa última vez foi um tênis que ele detestava) ou de alguma tatuagem minha e como eu não podia ficar por baixo, acabava falando de sua magreza, que era realmente absurda, sendo justificada depois pela sua doença.

Agora vendo esses anúncios de dia dos pais, lembro do meu pai e penso em como a morte é cruel. Ela vem, mas só quem conviveu ou amou alguém fica sabendo o quanto é doloroso seguir com a vida. Olhamos ao redor e está tudo indo. O mundo nunca vai parar porque alguém morreu. No máximo uma meia dúzia de pessoas refletem por um dia, depois esquecem e seguem a vida. Apenas três ou quatro pessoas bem próximas ainda pensam nisso, ainda lembram, ainda choram e percebem que o mundo das pessoas à volta continua.