domingo, 23 de agosto de 2009

A praça Roosevelt tem teatro acessível pra todos os bolsos. Fiquei impressionado ontem com duas peças que buscaram uma alternativa, não apenas para atrair público, mas também para criar uma forma nova de encenar. Um grupo buscou uma alternativa bem interessante onde a proposta de encenação é dentro de um ônibus. A peça escolhida foi “Valsa nº 6” de Nelson Rodrigues e o valor do ingresso é 2,30, o valor de uma passagem de ônibus. O horário também é um pouco alternativo, pois a peça começa meia noite.



Outra proposta diferente na praça é “Drive-thru”. A idéia é apresentar pequenos monólogos com temas diversificados em uma cabine improvisada em frente a um teatro. O valor é 1,99 e o espectador escolhe um tema onde os atores se revezam para apresentar. Achei interessante a idéia e como a praça Roosevelt tem propostas diferentes pra todos os gostos.

E ainda falando sobre teatro, fui assistir ao filme “Tempos de Guerra” do Daniel Filho, que é um diretor que eu não gosto muito. Talvez pelas escolhas dele e por ter trabalhado por tanto tempo na TV, a maioria de seus filmes eram sempre carregados de clichês e sua tentativa de fazer um filme sério (“O Primo Basílio”) foi completamente frustrada. “Tempos de Paz” é baseado na peça “Novas Diretrizes em Tempos de Paz”. Pelas criticas que eu li, o filme é absolutamente fiel à peça e talvez por isso não funcione tão bem para o cinema. Imagino que a atuação de Dan Stulbach no teatro devia ser emocionante, mas para os cinemas ficou exagerada. Achei que ele pesou um pouco a mão e o filme acabou ficando um pouco cansativo. O que mais gostei do filme, foram os créditos finais que homenagearam poloneses que vieram para o Brasil durante a guerra. Foi o momento mais emocionante do filme.

Aliás, aproveitei o fim de semana pra ver alguns filmes despretensiosos. “Se beber não case” que achei engraçado, mas quando saí do cinema não me lembrava de nada do filme. É o típico filme que funciona melhor em trailer. Também assisti “Bruno” e confesso que me decepcionei um pouco, esperava bem mais. O filme segue a linda de “Borat”, é um documentário onde o protagonista sai de sua cidade natal e passa por várias dificuldades e confusões, mas achei que “Bruno” utilizou pouco o recurso de enganar as pessoas (como aconteceu em “Borat”). A cena mais é engraçada é quando ele vai se consultar com um vidente e simula uma relação sexual e também quando vai apresentar um programa de TV trash para uma emissora grande. Agora o mais despretensioso de todos “Arraste-me para o inferno” é um filme de terror que assusta, mas usa humor o tempo inteiro (e humor tosco!). O diretor é Sam Raimi (que dirigiu vários filmes de terror, mas ficou famoso mesmo com os filmes do “Homem-Aranha”) que é mestre em usar efeitos especiais. Em nenhum momento o filme fica chato ou segue os clichês habituais de filmes de terror. Vale a pena arriscar e assistir filmes despretensiosos de vez em quando...rs!



domingo, 16 de agosto de 2009

O Banquete de José Celso Martinez Corrêa







Desde que me mudei pra São Paulo fiquei interessado em assistir uma peça do Teatro Oficina. O grupo liderado por José Celso Martinez Corrêa surgiu na década de 60 junto com o tropicalismo, criando um novo movimento teatral com estilo próprio e uma liberdade absurda pra época. Atualmente os tempos são outros, não há nada para ser quebrado, por isso talvez o grupo não tenha o impacto que deve ter tido inicialmente na década de 60, mas ainda assim assistir ao grupo é vivenciar uma experiência única.

Assisti ao “O Banquete” um pouco apreensivo, já que sempre tive na mente aquela imagem do Caetano Veloso sendo atacado pelo grupo e tendo as roupas arrancadas. Tinha medo de um ataque e ao entrar no teatro e sentar em um dos colchões no chão para os espectadores relaxei. Além disso, foram servidas frutas, comida e vinho para celebrar o banquete proposto na peça. Muitas improvisações, atuações incríveis, músicas e nudez enchem a peça e os olhos de quem assiste. Gostei bastante, achei extremamente importante assistir a peça e conhecer de perto o estilo do grupo, mas a peça requer bastante disposição, pois são 4 horas de duração sem intervalo.

E vale dizer que é permitido filmagens e fotografias (sem flash). Consegui fotografar alguns momentos com o celular, mas ainda pretendo voltar e registrar com mais qualidade as cores e formas do Teatro Oficina.

Tanto filme nacional bom em cartaz, certamente uma das melhores fases do cinema nacional (e sem querer fazer discurso chato, porque é fato)...


Coração Vagabundo


Um documentário que inicialmente seria um extra no DVD da turnê de “Foreign Sound” (um dos discos mais chatos do Caetano Veloso) acabou gerando o filme, pois o projeto do DVD não vingou e como havia um material extenso e interessante (pra alguns!) acabou virando filme. Vale dizer que é um filme para fãs. Quem não gosta do Caetano Veloso ou gosta de uma ou outra música, não é recomendável. O filme é o cantor/compositor/escritor/diretor falando sobre tudo. Uma das cenas que eu achei mais engraçada foi quando ele estava no camarim esperando para se apresentar e o diretor com a câmera chega e Caetano vai logo falando “olha, não vou poder falar nada, minha voz ta ruim e preciso ficar calado”, depois de alguns segundos ele volta a falar “é, vai ser um filme de um cantor mudo” e novamente ele volta a falar sobre cinema quebrando sua regra inicial de ficar calado. Essa é a primeira parte do filme, Caetano feliz, alegre, nervoso (quando dá uma entrevista para uma emissora americana e sente-se subdesenvolvido). Depois na segunda parte em uma viagem pra Tókio (dois anos depois) ele já não é o mesmo, está bem calado (realmente!) e fala pouco, se diz triste e em crise. A crise era real e envolvia sua separação. Eu como fã vibrei o filme inteiro e senti muita inveja do diretor que conseguiu passar muitos momentos com ele. O filme também é bacana pelas participações de Gisele Bunchen, Pedro Almodóvar, Paula Lavigne (que é muito engraçada), Michelangelo Antonioni e David Byrne.


À Deriva


Não esperava nada desse filme, principalmente depois de ler a sinopse e assistir e ler milhões de reportagens sobre ele, mas acho que gostei exatamente por isso, pois não criei nenhuma expectativa e me surpreendi o tempo inteiro. O filme esteticamente é deslumbrante, uma luz fantástica que me remeteu um tom nostálgico, bem o que o diretor queria passar e os atores compõem esse clima com perfeição (aliás, só tem gente bonita no filme). Mas me surpreendi mesmo com a história que inicialmente me parecia algo banal e simples, mas que aos poucos vai abrindo novos caminhos com outros conflitos que até então estavam escondidos e aos poucos vão sendo mostrados no filme ampliando assim a intensidade dos personagens. O que surpreendi no filme é como os personagens vão mudando na percepção do espectador quando a história vai se desenrolando. Outra coisa que achei linda no filme foi a relação entre o pai e a filha que é de uma delicadeza absurda. A cena final que marca a relação entre os dois é uma das mais lindas que eu já assisti e eu que sou uma pedra de gelo me envolvi completamente.


O Contador de Histórias

Já conhecia a história do Roberto Carlos Ramos há bastante tempo, tinha assistido alguns programas que ele participou anos atrás e lembrei na hora dele quando ouvi falar do filme. Aliás, vi falarem do filme quando a Maria de Medeiros veio pra Mostra Internacional de São Paulo e andava de braço dado com a Denise Fraga pra baixo e pra cima e em alguma entrevista ela acabou contando sobre o projeto. Depois acabei vendo o trailer do filme e minha expectativa foi imensa, achei lindo o que vi. Mas depois de assistir não fiquei com a mesma sensação, me emocionei mais com o trailer do que com o filme. Depois de ver o filme achei bastante interessante a idéia do diretor de misturar algo lúdico na visão do protagonista durante sua infância, essas cenas na minha opinião são os melhores momentos do filme. Também os momentos que ele vive durante sua estadia na FEBEM são bem interessantes, pois fogem um pouco da visão lúdica, mas tem uma edição bem eficiente, com uma trilha perfeita e a narração do próprio Roberto Carlos. Depois disso achei que o filme foi pra um lugar comum demais, ficou um pouco meloso e perdeu muito da estrutura inicial que dava um ar original pra história.


Moscou


A maioria das criticas do novo filme do Eduardo Coutinho foram positivas e creio que isso se deve ao respeito que as pessoas tem ao diretor, que é maravilhoso e agora está se arriscando cada vez mais em filmes que são documentários, mas ao mesmo tempo usam um pouco de ficção. Antes de “Jogo de Cena”, seus filmes buscavam personagens desconhecidos e comuns. “Santo Forte”, “Babilônia 2000” (que, aliás, assisti ontem e achei sensacional!) e “Edifício Máster” são exemplos de como ele consegue extrair de pessoas comuns histórias sensacionais que comovem qualquer um, mas a partir de “Jogo de Cena” ele resolveu investigar o que há por trás da cena. Em “Moscou” ele parecia dar prosseguimento a sua investigação anterior, mas dessa vez de uma forma mais complexa. Sua idéia inicial era registrar o processo de criação de um grupo teatral, mas depois de ver o filme não fica muito claro o interesse pelos bastidores, pois em determinado tempo o filme passa de documentário para ficção. Não há nenhuma interferência do diretor, não há perguntas, apenas encenações. Confesso que me decepcionei um pouco. Esperava mais, queria ver mais do processo, ver como ele interferiria nos ensaios. No fim acabei ficando sem entender nada, pois ele não estava lá pra investigar.


quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Fernanda Young


Será que a Fernanda Young vai mesmo sair na Playboy?

Hoje a notícia rolou em vários sites, blogs e jornais. Já li de tudo. Que o ensaio vai ser feito na praça da república, que o fotógrafo será Bob Wolfenson (que fez os dois ensaios mais lindos que eu já vi. Um era da Mylla Christie em Paris e o outro de Maitê Proença em uma tradicional cidade no sul Itália) e a revista sairia em outubro, já outras notícias diziam que o ensaio não havia sido fechado e ela ainda estaria em negociação para sair em dezembro.
Estou torcendo pra que seja verdade. Sem dúvida nenhuma Fernanda Young vai ser a coelhinha mais interessante da história da revista no Brasil. Lembrando que ela já participou da revista, dando entrevista e escrevendo para o ensaio da Marina Lima. Agora bem que os papéis poderiam se inverter e Marina escrever algo pra ela, seria maravilhoso. Acabei encontrando o que ela escreveu:

O encantado de Marina

Ela não lembra exatamente quando escolheu usar perfumes doces. Lembra, sim, que a decisão do aroma certo é tão derradeira quanto a medida de um verso nas notas de uma canção. Nada de cítricos. Queria o simples cheiro das flores. Das baunilhas. Das maçãs. Principalmente das flores. Gentil. Compartilhando comigo suas descobertas no incrível mundo dos cosméticos; e mais uns tantos segredos. Engraçada. Aconselhada por outra amiga, é dada a fazer misturas, espalhando um pouco de dois frascos por pontos de seu corpo. Fazendo-se, de si, duas. Oferecendo a opção, que seria dela, para você. Intimidades são relativas, e Marina sabe disso. Reservada e entregue: essa é a fórmula que ela consegue destilar em suas veias. Despertando coisas em homens, mulheres e demais animais de estimação. Deixando seu corpo largado como uma pauta de música, espalhando seus tons numa lógica de métrica suave; notas vivas a criar harmonia. Pop enquanto símbolo, sexual enquanto disposta. Saliente como um bico de seio. Marina seduz de fãs a radiovitrolas, e você sabe do que eu estou falando.

Mas não vou cantar suas linhas em verso ou prosa, seria redundante. E só um texto preciso caberia sobre o corpo de Marina. Poderia, imagino, perder-me em sutilezas, formas, traços, sombras, reentrâncias, ressaltando mínimos detalhes que quase passariam despercebidos; como uma maneira específica em que ela repousa a boca, ou talvez algum contorno de pele arrepiada, quem sabe comparar suas curvas com o Corcovado... Acidentes acontecem, e Marina é linda. Linda. Não sei quando as palavras se tornaram necessárias, mas acredito que foi num momento em que as imagens falharam em dizer tudo. Sei que não é o caso, agora. Assim, deixo meus olhos livres, como os seus, a buscar revelações que ainda não perceberam. Escritores não devem ficar na frente de uma nudez como essa, disfarçando sua verdade.

Fernanda Young




terça-feira, 4 de agosto de 2009

Eduardo Coutinho


Na minha lista de cineastas preferidos Eduardo Coutinho está no topo. Sempre que vejo um filme dele me emociono tanto. Acho incrível como ele consegue encontrar personagens fascinantes e em sua maioria anônimos. Seu último filme “Jogo de Cena” era um documentário que mostrava abertamente o processo de criação das atrizes, ma também se misturou ficção com documentário, pois não se sabia em alguns casos se a mulher estava interpretando ou dizendo a verdade.

Agora em seu novo filme “Moscou” o diretor se uniu ao Grupo Galpão e lançou uma proposta ousada. O grupo teria três semanas para encenar uma peça que ele propusesse e seria feito um registro de todo o processo de criação entre o diretor (Enrique Diaz) e os atores. A idéia é sensacional e segue um pouco a linha do filme anterior, mas dessa vez expõe o processo de criação do personagem mais a fundo com o diretor (o anterior focava apenas o processo de cada atriz).


segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Os Normais 2

Sou viciado em "Os Normais". Acompanhei todos os episódios na TV, chegando até deixar de sair (passava na sexta-feira) pra não perder, depois comprei todos os DVD’s e até hoje ainda assisto no GNT quando passa, mas confesso que não gostei tanto do filme. Achei divertido, mas comparado ao seriado achei fraco. Agora vendo o trailer do segundo filme acho que devo gostar mais. Todos os elementos que fizeram parte da série e não estavam no primeiro filme (que pegou bem leve e resultou quase numa comédia romântica americana) parecem estar presentes na continuação. E o elenco vai contar com atores que já participaram da série como Cláudia Raia (que já fez uma prostituta vizinha da Vani), Daniel Dantas (que fez o papel de chefe do Rui) e Drica Moraes (que participou de vários episódios em papéis diferentes). Agora é esperar dia 28 de agosto!


sábado, 1 de agosto de 2009

Profissão Repórter

Um dos meus programas prediletos na TV aberta é o Profissão Repórter. Os temas são sempre os melhores e gosto muito da maneira como o programa é conduzido. Sempre vários personagens são intercalados em diferentes ambientes. Lembro de quando o tema foi sobre casamentos o programa mostrou um casamento de luxo e outro de pobre, sempre com um tom de documentário (talvez pela falta de experiência dos jornalistas que acabam se envolvendo com as histórias dos entrevistados). É praticamente uma aula de jornalismo, tendo como professor Caco Barcellos que sempre discute com os repórteres o que pode ser mostrado ou não e ajudando na edição.

Lembro de um programa que falava sobre um aluno que sofria agressões e xingamentos por partes de colegas. Ele não aguentou a pressão e acabou cometendo suicídio, nesse caso foi discutido se era possível falar sobre o caso, principalmente por ser um tabu na imprensa. Mesmo com tal constatação, Caco Barcellos e os repórteres acharam importante falar abertamente, até para informar e evitar outros casos semelhantes.

Há umas duas semanas o programa apresentou como tema concursos de beleza. Ao assistir lembrei na hora do “Pequena Miss Sunshine”, pois o programa também mostrou um concurso de Miss para crianças bem aos moldes do que foi apresentado no filme. Era evidente que as mães colocavam suas frustrações em suas filhas. Uma menina chegou até a chorar de dor de cabeça por ser obrigada a usar um arranjo de cabelo pesado.

Além disso, o programa apresentou ao grande público a injustiçada concorrente do concurso Garota da Laje. Caco Barcellos (que corajosamente no programa anterior se enfiou com a cara e a coragem na Crackolândia) dessa vez encarou as popozudas da laje e teve a esperteza de entrevistar duas garotas desclassificadas e revoltadas, já que eram (na opinião delas) lindas demais. A entrevista no dia seguinte caiu no youtube, entrou para o Top 5 do CQC e ganhou até remix. Pra quem ainda não viu, vale a pena assistir.