domingo, 27 de setembro de 2009

Sempre tive uma certa resistência a Cássia Kiss. Colocava ela sempre na categoria de atriz intensa com respiração ofegante. Outro dia assistindo ao "Vitrine" na TV Cultura, vi uma entrevista com ela, onde o principal assunto era sua peça "O Zoológico de Vidro" de Tenessee Williams. Ela dizia sobre o tempo que ficou afastada do teatro e que mesmo não fazendo ela inseria na TV técnicas teatrais e isso não a deixava fora do ofício que mais gostava. Hum, tá aí a explicação da minha categoria! Hoje vi a peça e foi uma experiência bem interessante. A peça tem o preço mais acessível, trazendo um público diversificado (tinha uma menina atrás de mim abrindo e fechando a bolsa tantas vezes, que na hora tive que virar pra ver o porquê daquilo. Qual foi a minha surpresa ao virar? A menina estava retocando a maquiagem. No escuro do teatro!) que ria de maneira exagerada aos díalogos da peça. Riam sem perceber que havia algo pesado por trás daquelas palavras que soavam engraçadas. Depois no fim da peça foi aberto um debate com os atores, incluindo Cássia Kiss, que se mostrou aberta, mas cansada e com certo ar bláse. Em certo momento, ela fez questão de encerrar (com razão, pois as perguntas ou eram óbvias e repetitivas ou então eram direcionadas a detalhes técnicos que ela não tinha o menor interesse em responder), mas foi um díalogo bastante interessante em torno do processo de criação da peça, contrução do personagem, pesquisas que são essenciais durante os ensaios, como lidar com o ego, vaidade, conflito entre colegas. Entendi perfeitamente que a base dela como atriz é realmente o teatro. Sua intensidade na TV é proposital e de certa forma é até reacionária, por ir na contramão do que é feito e mesmo assim conseguir espaço cativo. É engraçado, pois lendo o programa da peça soube que o personagem feito por ela na peça, foi anteriormente interpretado por Beatriz Seagal. Uma atriz que assim como ela, é boa, competente, mas extremamente bláse.

domingo, 20 de setembro de 2009

Não gosto tanto de musicais. Me irrita um pouco aquela coisa do personagem acordar cantando, tomar café cantando e por aí vai. Não tenho paciência, poucos são realmente legais de assistir. Posso contar nos dedos os que mais gostei (Canções de Amor, Billy Eliot e não lembro mais...). Hoje assisti um musical que amei, foi talvez o melhor que assisti por misturar humor politicamente incorreto, que é algo difícil hoje em dia. Avenida Q fala de pessoas fracassadas, gays, judeus, negros, orientais entre outros.

As músicas são sensacionais, "Se Ele For Gay" e "Todo Mundo É Meio Racista" são as melhores. O musical não cai naquele marasmo que estamos acostumados, porque geralmente chega uma hora que a gente não agüenta mais pessoas que do nada saem cantando, mas Avenida Q não cai nessa armadilha por usar temas que normalmente ninguém aborda ou tem coragem de abordar. E a abordagem original não está apenas nos temas, mas também nos personagens que são em grande parte bonecos movimentados por atores que revezam vozes extremamente criativas e diferenciadas para cada personagem.

Antes de assistir vi um comercial da peça dizendo se tratar de uma espécie de Vila Sésamo para adultos. Realmente a peça é recomendada para adultos e para pessoas que não sejam politicamente corretas. O que tinha de velhinha chocada na platéia quando começaram com a música que falava de Internet associada diretamente a sites pornográficos e masturbação! Me diverti com a peça e com a reação da platéia!rs

terça-feira, 15 de setembro de 2009

domingo, 13 de setembro de 2009




Hoje assisti à peça “Quartett”, aliás, foi uma sorte conseguir os ingressos (Marcelo conseguiu por intermédio de um amigo), pois eles se esgotaram já nos primeiros dias.

A peça que é inspirada em “Relações Perigosas” que já foi filmado com Glen Close e John Malkovich veio para o Brasil graças ao ano comemorativo da França. “Quartett” foi dirigida por Robert Wilson e tem Isabelle Huppert no elenco. A direção é influenciada pelo estilo japonês na montagem com cenário minimalista, dramatização estilizada dos personagens, figurinos de vanguarda e uma iluminação maravilhosa. A trilha da peça também é um espetáculo à parte, misturando até rock. Fiquei impressionado e apaixonado pela montagem.

São tantos detalhes criativos como na cena em que o personagem é amarrado de cabeça para baixo, na interação entre a produção e atores enquanto os cenários eram desmontados e montados para as próximas cenas, na repetição das falas dando um ar de loucura para as personagens, nas movimentações programadas dos objetos de cena e principalmente na atuação de Isabelle Huppert que é sensacional. Cheguei a ler em alguns sites sobre o ar blasé que a atriz fez questão de manter nas entrevistas que deu no Brasil. No fim da apresentação ela se esforçou, mas não conseguiu dar nenhum sorriso (aliás, deu um meio-sorriso, forçada pelos quase 10 minutos de aplausos do teatro lotado).

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Fui uma vez em um show do Otto numa festa de música eletrônica em Belo Horizonte. Sempre ia com uma amiga minha chamada Ana Carolina nessas festas, hoje só de lembrar me dá uma preguiça e não consigo imaginar como eu conseguia ficar até 7 horas da manhã com música eletrônica na cabeça e ainda por cima sóbrio! Enfim, Otto fez um show em uma dessas festas (acho que em 1999) e na época a única música mais conhecida de seu cd “Samba pra Burro” (que, aliás, foi aclamado pela critica) se chamava “TV a Cabo” e tinha até clipe na MTV. Quando ele começou a tocar, algumas pessoas reconheceram e cantaram junto o refrão “acabo de comprar uma TV a cabo, acabo de entrar na solidão acabo...” e o mais engraçado era que a qualquer tentativa dele em tocar outra música era interrompido, pois todos pediam a bendita “TV a cabo”, no fim ele tocou a música umas cinco vezes ou mais!

Hoje acabei encontrando por acaso um link do último cd dele no http://penduradoparasecar.blogspot.com/ que eu sempre entro e resolvi baixar, impulsionado principalmente pelas faixas que Julietta Venegas participa. Além dela o cd tem a participação da Céu, o que me fez lembrar na hora de que ele sempre está acompanhado de mulheres interessantes em seus trabalhos. Em “Samba pra Burro” Bebel Gilberto participou, em “Condom Black” (seu segundo disco) participaram Luciana Mello, Fernanda Lima e Maria Paula.

No novo cd ele gravou duas músicas com Julietta Venegas, sendo uma delas “Lágrimas Negras” música de Jorge Mautner que foi gravada por Gal Costa na década de 70. A outra faixa que está no cd com a cantora se chama “Saudade” e entrou na trilha sonora do filme “Só Deus sabe” que tem no elenco Alice Braga e Diego Luna.

Outra música interessante no disco do Otto é “Naquela Mesa”, um clássico da música popular brasileira que ouvi sempre nas reuniões e festas que aconteciam em casa quando eu era menor e a família era maior. Minha mãe, aliás, sempre frisava que essa música a fazia lembrar do pai. Acho a letra tão bonita.

Naquela Mesa

Composição: Sérgio Bittencourt

Naquela mesa ele sentava sempre
E me dizia sempre o que é viver melhor
Naquela mesa ele contava histórias
Que hoje na memória eu guardo e sei de cor
Naquela mesa ele juntava gente
E contava contente o que fez de manhã
E nos seus olhos era tanto brilho
Que mais que seu filho
Eu fiquei seu fã
Eu não sabia que doía tanto
Uma mesa num canto, uma casa e um jardim
Se eu soubesse o quanto dói a vida
Essa dor tão doída, não doía assim
Agora resta uma mesa na sala
E hoje ninguém mais fala do seu bandolim
Naquela mesa ta faltando ele
E a saudade dele ta doendo em mim
Naquela mesa ta faltando ele
E a saudade dele ta doendo em mim

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Mutantes sem Rita Lee já não era tão bom, imagina então sem ela e o Arnaldo (se bem que durante os shows em que participou atualmente ele estava impossibilitado de qualquer brilhantismo dos tempos áureos).

Agora Sérgio comanda a banda praticamente sozinho (porque Zélia Duncan foi esperta e deu no pé) e tem certa ajuda da vocalista que ele encontrou para o lugar vago de figura feminina na banda.

A idéia do líder atual dos Mutantes que lançou o disco “Haih...or Amortecedor” parece ser resgatar o estilo dos Mutantes, com diferentes ritmos e bom humor, mas ao invés de ser original e flertar com novos elementos o disco parece ter vindo direto do baú dos Mutantes (original!). “2000 Agarrum” é praticamente uma cópia de “2001”, começa com a vocalista cantando com sotaque nordestino debochado, tentando entoar o humor de Rita Lee, “Anagrama” reproduz os vocais da mesma maneira que foi feita em “Hey Boy”, “Nada mudou” parece ser uma referência direta a Panis et Circensis” assim como “Samba do Fidel” ao “Cantor de Mambo e por aí vai. Os disco parece querer soar o tempo inteiro como posterior ao “Mutantes e seus Cometas no País dos Baurets” (o último disco com a formação original), mas não deveria ser assim, afinal Mutantes era uma banda que buscava novas sonoridades.

Quem tiver curiosidade: Link


Agora estou na espera do álbum novo da Bebel Gilberto, que contou com vários produtores, entre eles Mark Ronson (que produziu Amy Winehouse, Bob Dylan, Lily Allen). Já dá pra ouvir duas músicas em http://www.myspace.com/bebelgilberto

Já to viciado em “All in One”, impressionante o tanto que eu sou apaixonado por essa mulher...



Mark Ronson e Bebel