quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Melhores videoclipes de 2009:




















Melhores músicas de 2009:

Cousins - Vampire Weekend

Sonic Youth - Sacred Trickster
Karen O and the Kids - All Is Love
Bebel Gilberto – Port Antonio
Charlotte Gainsbourg – IRM
Noisettes – Sometimes
Mariana Aydar – Peixes
The Gossip – Men In Love
Caetano Veloso – Sem Cais

Yeah Yeah Yeahs – Faces
Pj Harvey John Parish - Black Hearted Love
Ida Maria - Stella
Arnaldo Antunes - Invejoso
Céu - Cangote
Céu, Thalma de Freitas e Anelis Assumpção - Bubuia
Erika Machado - Control Z
Phoenix - 1901

Fernanda Takai - Ordinary World
Mayra Andrade - Stória, stória
Norah Jones - Chasing Pirates
Zélia Duncan - Tudo sobre você

The Breeders - Fale to Fatal

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Melhores discos que ouvi em 2009:
Mariana Aydar - Peixes, pássaros, pessoas
Céu - Vagarosa
Erika Machado
Caetano Veloso - Zii e Zie
Bebel Gilberto - All in one
Erasmo Carlos - Rock'n'Roll

Yeah Yeah Yeahs - It's Blitz!
Ida Maria - Fortress Round My Hear
Noisettes - Wild Young Hearts
Karen O and the Kids
Norah Jones - The Fall
Phoenix - Wolfgang Amadeus


Melhores filmes que assisti em 2009:
Dzi Croquetes
I Love you Phillip Morris
É proibido fumar
Eu matei minha mãe
A Deriva
Entre os muros da escola
Deixa ela entrar
Dúvida
Duplicidade
A Bela Junie
Simplesmente Feliz
Ele não está tão afim de você
Anticristo
Se beber não case
500 dias com ela


Melhores peças que vi em 2009:
Justine
Quartett
Cine Belvedere
Solidão também acompanha
Histórias de Chocar
Till, a saga de um herói torto
Zoológico de Vidro
Avenida Q
Avenida Dropsie
Gloriosa

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Ainda digerindo





"Cine Belvedere" uma das peças mais interessantes que assisti no ano. Ela se passa num casarão e o público (de no máximo 16 pessoas) acompanha a trama da família em variadas décadas e sonhos alternados por todos os cômodos da casa. Como disse antes, ainda estou digerindo, mas já afirmo que as duas horas que passei no casarão foram de grande intensidade.

http://ciabrutadearte.blogspot.com/
http://www.casaraodobelvedere.com.br/cinebelvedere.html

domingo, 13 de dezembro de 2009

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Caio Fernando Abreu

Ando mergulhado no universo do Caio Fernando Abreu. Lendo seus livros, suas peças teatrais, criando em cima de seus personagens e agora devorando uma biografia escrita por sua grande amiga Paula Dip.
O livro é maravilhoso, abrindo e escancarando quem realmente era Caio Fernando Abreu, seus amigos, suas viagens e principalmente sua literatura.
Quando gosto muito de um livro, fico até preocupado e com medo que acabe, e leio devagar mas infelizmente não consigo me conter e parar de ler "Para sempre teu, Caio F.". Estou agora na página 181 e resolvi colocar aqui a carta destinada a Elis Regina (os dois eram amigos desde quando moravam em Porto Alegre - o livro inclusive tem uma foto linda deles juntos) que ele escreveu e enviou a Paula Dip. E
la disponibilizou na biografia e por sorte acabei a encontrando.

“Maninha, precisava ser agora?
Elis, quando eu soube, assim de imediato, não acreditei. Esse vício de eternidade que a gente tem. E logo você, bicho? Tão agitadinha, tão atrevidinha e cheia de vida. Fui ao banheiro lavar o rosto, molhar os pulsos e olhar bem a minha cara cansada de 33 anos. Quando saí e espiei em volta tudo continuava lá. Feito nada tivesse acontecido Lembrei duma história da mitologia grega. Contam que quando morreu Pan, o deus da música, alguns pescadores ouviram uma voz misteriosa gritar numa praia deserta: ‘O grande deus Pan morreu!” E nunca mais se ouviu falar dele. Hélice – como te chamava a Rita, acho que por causa daquela sua mania antiga de girar os braços enquanto cantava, em tempos de Arrastão – eu não sei o que estou sentindo. Depois do trabalho, saí a procurar pelas ruas do centro da cidade um sinal qualquer que confirmasse ou desmentisse tua partida. Não encontrei nada. As lojas não tocavam seus discos. Ninguém caminhava devagar. Não havia nenhuma melancolia específica no céu, além do cinza habitual. Só eu assobiava baixinho “Acender as velas já é profissão, quando não tem samba, tem desilusão”. (Vezenquando, só de sacanagem, você dizia ‘Quando não sou eu, é Nara Leão’, e dava aquela risada gostosa.) Então peguei um táxi e vim embora. Pedi para o motorista ligar o rádio, mas tocava Núbia Lafaiete. Você acharia engraçado. Pedi para ele parar antes de casa, comprei duas garrafas de vinho. Estou no meio da segunda. Pimentinha, que difícil que tá. Você tem que amar quem você ama agora, JÁ, você tem que começar a fazer tudo o que você quer porque a bruxa tá do lado esperando. Elis, eu também vou morrer nem sei quando. Antes eu queria tanto ser feliz. Embora nem saiba como é isso. Acendo uma vela branca procê ir embora numa boa. Abro as janelas e ponho bem alto você cantando ‘Primeiro Jornal’, porque é assim que quero te guardar, juntando tua voz matinal aos restos dos sons noturnos que ainda boiam na casa. Não tenho medo da morte. Tenho medo da vida. Baixinha, foi tão de repente... Mas ainda ontem, todo domingo de manhã eu ia ao cinema Castelo assistir você cantando no programa do Maurício Sobrinho, da Rádio Gaúcha. Você vinha com aqueles vestidos repolhudos cantar ‘Banho de lua’ e aquelas versões tipo Fred Jorge (Vixe, como tô ficando veio, guria!). No fim todo mundo aplaudia de pé, dançava e cantava junto. Depois, feito a Janis Joplin fez com Port Arthur, você saiu de Porto Alegre. Foi ser estrela na vida. Falavam mal, então como falavam: porque isso, porque aquilo, porque você chiava como carioca, que era metida que nem parecia ter saído dali do Partenon, que parecia que tinha Deus na barriga (descobri depois que você tinha mesmo, não na barriga, mas na voz). Nunca mais te vi ao vivo, só no finzinho do ano passado, no Anhembi. De repente você disse que queria falar com Deus. Eu me arrepiei. Parecido com quando você cantava ‘Atrás da porta’. Ou quando, naquele inverno comprido eu atravessava noites bebendo conhaque ouvindo ‘As aparências enganam’. Uma vez a Paula Dip bateu na porta enquanto você cantava e, mal abri, ela caiu no choro, porque tinha vindo contar-me coisas sobre esses enganos, essas aparências.
Maninha, precisava ser agora? Em pleno verão, o sol quase em Aquário. Sei que teu coração não aguentava mais tanta barra. Sacanagem... E juro que agora eu ouvi você rindo assim: quá-quá-rá-quá-quá. Tô sentindo um oco, Hélice. Tão ruim. O dia não conseguiu chover: eu queria agora chorar todo o choro que o dia não chorou por ti. Não consigo. Eu tenho a impressão de que poderia reconstituir, dias após dia, desde uma daquelas manhãs de domingo no Cine Castelo (que coisa mágica, eu tinha 12 anos, você 15) até estas duas da madrugada de hoje? Consigo não, Che. A gente, que é gaúcho, se entende. O tempo existe, Pimentinha, e passa, leva no arrastão as coisas e as pessoas que não morrem: ficam encantadas.
Y solo resta el silencio, un ondulado silencio...Nós te amávamos tanto, tanto. Guria. Até.

Caio Fernando Abreu"