terça-feira, 23 de agosto de 2011

domingo, 21 de agosto de 2011

We Float - PJ Harvey


We wanted to find love
We wanted success
Until nothing was enough
Until my middle name was excess
And somehow I lost touch
When you went out of sight
When you got lost into the city
Got lost into the night
I was in need of help
Heading to black out
'Til someone told me run on in honey
Before somebody blows your goddam' brains out
You shop-lifted as a child
I had a model's smile
You carried all my hopes
Until something broke inside

But now we float
Take life as it comes

So will we die of shock?
Die without a trial
Die on Good Friday
While holding each other tight
This is kind of about you
This is kind of about me
We just kind of lost our way
But we were looking to be free

But one day we'll float
Take life as it comes

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Por aí







Artistas pedindo voz e a cidade agridoce os acolhe.
Em muros, becos e paredes.
Se fosse um mamífero, São Paulo seria um porco espinho.
Pronto para amamentar sem deixar de espetar.


terça-feira, 9 de agosto de 2011

Itamar Assumpção vulgo Nego Dito

Ouvir Itamar Assumpção é entrar em contato com algo novo. Uma voz grave, distante de qualquer timbre radiofônico. Ritmos misturados, falta de linearidade nas melodias e letras simples que observam amenidades cotidianas mesclando humor e sensibilidade. Aliás, no fundo essa é a grande surpresa em Itamar Assumpção, ser um artista acessível. Entre suas influências estão Roberto Carlos, depois disso entende-se um pouco sua essência.

Achava que Itamar Assumpção gostava de ser rotulado como um artista marginal e acessível a poucos, mas pelos relatos de sua família e até mesmo por suas entrevistas, percebe-se que não. Todo artista precisa ser ouvido e reconhecido, até Itamar com sua aura marginal, queria ser reconhecido.

Atualmente foram lançados dois projetos associados a ele, o belo documentário "Daquele instante em diante" dirigido por Rogério Velloso e Caixa Preta (que reúne todos os seus discos, além de dois póstumos com várias participações especiais). Os dois projetos têm como principal objetivo, valorizar seu trabalho e trazê-lo para perto de muitos que até então não o conheciam. Ney Matogrosso, Rita Lee, Cássia Eller e Zélia Duncan engrossaram seu caldo gravando suas músicas e valorizam sua genialidade. Sorte dos poucos que conseguiram (e ainda conseguem) enxergar no Nego Dito sua genialidade e o poder de suas composições.

Devia ser proibido
Uma saudade tão má
De uma pessoa tão boa

(devia ser proibido)

Ópios, edens, analgésicos
Não me toquem nesse dor
Ela é tudo o que me sobra
Sofrer vai ser a minha última obra

(dor elegante)

mas se apesar de banal
chorar for inevitável
sinta o gosto do sal
gota a gota, uma a uma
duas três dez cem mil lágrimas
sinta o milagre
a cada mil lágrimas sai um milagre

(milágrimas)

eu sou rio, você é o mar, nosso encontro é pororoca, você é flor eu sou o beija flor, nosso encontro é boca a boca, eu sou o frio você é o calor, nosso encontro é choque térmico...

(eu tenho medo)

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

dia dos pais...

Próximo ao dia dos pais, data temida e a primeira que passo sem pensar em um presente pro meu pai, tá doendo um pouco. Sempre pensava em algo para ele nessa data, sempre tivemos uma relação forte com presentes, ele ajudou sempre nisso. Era habitual em casa presentear em datas especiais. Nós sempre pensavamos em relógios pra ele. Adorava ver anúncios de relógios pensando em qual ele escolheria e gostaria de ganhar. O último que demos foi o melhor, ele gostou, mas ao mesmo tempo disse no dia que ganhou que queria ter escolhido com a gente e tomado um chope depois. Essa foi a última vez que o vi de pé, reclamando e com cara amarrada (sua cara habitual). O abracei, me desculpei de não o ter levado e reclamei de como ele estava magrelo e tinha ossos aparentes. Ele relutou a crítica e ainda teve a cara de pau de dizer que estava bem nutrido, pois estava tomando farinha láctea. Aliás, essa parecia a forma de nos aproximarmos, sempre criticando um ao outro. Ele reclamando de alguma peça da minha roupa (essa última vez foi um tênis que ele detestava) ou de alguma tatuagem minha e como eu não podia ficar por baixo, acabava falando de sua magreza, que era realmente absurda, sendo justificada depois pela sua doença.

Agora vendo esses anúncios de dia dos pais, lembro do meu pai e penso em como a morte é cruel. Ela vem, mas só quem conviveu ou amou alguém fica sabendo o quanto é doloroso seguir com a vida. Olhamos ao redor e está tudo indo. O mundo nunca vai parar porque alguém morreu. No máximo uma meia dúzia de pessoas refletem por um dia, depois esquecem e seguem a vida. Apenas três ou quatro pessoas bem próximas ainda pensam nisso, ainda lembram, ainda choram e percebem que o mundo das pessoas à volta continua.

domingo, 17 de julho de 2011

La fraternité est rouge

La liberté est-Bleu

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Exit Through the Gift Shop

No documentário “Exit Through the Gift Shop” Banksy expõe de maneira realista como funciona a indústria cultural. Por meio da arte de rua, o filme mostra a ascensão de um artista até então desconhecido que passa a ter a atenção da mídia graças ao staff que o envolve. E aí seguem as ferramentas que envolvem um artista: o produtor, a mídia, os críticos de arte, entre outros. Mr. Brainwash é o pseudônimo de Thierry Guetta, um cara comum que passa a fazer arte de rua copiando Banksy (e outros artistas desse estilo como Shepard Fairey que também aparece no filme) e fazendo obras em série apenas para ser vendida e consumida como um mero produto industrial. Ao conseguir êxito em sua mega-primeira exposição, ele alcança prestigio e consegue até trabalhar com grandes nomes (como a cantora Madonna).

O documentário mostra de maneira explicita como funciona essa indústria cultural, explicitando sua superficialidade e ânsia por novidades volúveis. O documentário deixa também claro o posicionamento de Banksy que um artista notório e conceituado no meio artístico, utilizando em suas obras conteúdo social que expõem sua aversão aos conceitos de autoridade e poder. Sem se deixar ser identificado, Banksy é um artista subversivo que propões em sua arte de rua intervenções (que rodam o mundo inteiro) que provocam reações adversas na sociedade. Ele utiliza sempre ícones da cultura popular para fazer a sua critica (como na arte abaixo que usa Mickey Mouse e Ronald Mcdonalds de braço dado com a imagem ícone da bomba atômica no Japão).

Banksy também utiliza outros meios para divulgar sua arte e seu posicionamento social e político como fez em suas intervenções acima na fronteira entre Israel e Cisjordânia. Banksy nunca fala em público e não se sabe ao certo se trata apenas de uma pessoa. Também há possibilidades do documentário ter sido planejado por ele, assim como o artista Mr. Brainwash, que pode ter sido criação dele. O fato é que sua preocupação em mostrar a realidade da indústria cultural é corajosa e merece grande reconhecimento.
O texto “O consumo serve para pensar” observa com certo otimismo uma preocupação da indústria cultural com o social e o ambiental. Diversas empresas tem se preocupado em utilizar materiais recicláveis, abordagens sociais, além de uma busca por novidades. Como já discutimos em aula, o artista que talvez possa estar inserido como parte da indústria cultural, mas acompanhado de um olhar apurado e artístico é Vik Muniz. Ele é um artista que sabe equilibrar seu trabalho sendo comercial, mas oferecendo inovações e questionamentos. Seu grande êxito comercial ocorreu no trabalho "Sugar children" que fotografou crianças de famílias que cultivavam cana-de-açúcar no Caribe. Como esse projeto proporcionou um retorno para essa comunidade, Muniz que é brasileiro, quis fazer algo parecido em seu país.

Para isso ele utilizou o lixão de Duque de Caxias – RJ como obra prima da sua arte. Esse projeto resultou no documentário “Lixo Extraordinário” estrelado por Vik Muniz e por vários catadores de lixo. O filme atuou de forma social, apresentando através de uma oportunidade aos catadores um mundo novo, mas também ajudou a divulgar o olhar que Vik Muniz tem sobre o mundo através das suas fotografias. Indicado ao Oscar de melhor documentário e vencedor de prêmios de público nos festivais de Sundance e Berlim em 2010, o filme registra todo o processo criativo do artista, sem deixar clara a sua posição no mercado de arte (ele consegue uma grande quantia por seu trabalho em um importante leilão) mundial.

Mas não se pode deixar de observar que ele apropria-se desse processo para criação comercial. O trabalho do documentário, por exemplo, serviu de base para a abertura da novela “Passione” da TV e que Vik Muniz fez também um editorial da revista Vogue, onde utilizou na modelo Kate Moss chocolate, da mesma forma que também o utilizou na capa do CD “Tribalistas” de Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown, trabalho que teve grande visibilidade no Brasil e exterior, vendendo mais de dois milhões de cópias.

Aloísio Magalhães, símbolo do design gráfico e sempre associado à arte no Brasil, fez certa vez uma observação onde dizia que o valor cultural e social devem ser peças fundamentais na carreira de um artista ou designer. Para ele elementos oriundos de nossa latinidade, a cultura nativa do índio brasileiro e as de origem africana devem ser usadas no processo criativo. O autor também cita a intuição como parte importante, mas sempre de forma polida observando a situação econômica e social, detalhes que são bem observados por Vik Muniz.
No fim o questionamento acaba sempre sendo o mesmo: design é ou não arte? A discussão e infindável e acredito que seja importante mantê-la viva para observar a evolução e as mudanças que ocorrem de tempos em tempos com surgimento de novos estilos, técnicas e movimentos culturais – sociais e políticos, por isso será sempre indefinido se design é ou não arte.